Para o Microempreendedor Individual (MEI), manter a organização financeira é um dos pilares para o sucesso e a sustentabilidade do negócio. Entre as obrigações e boas práticas, o preenchimento do Relatório Mensal de Receitas Brutas se destaca como uma ferramenta essencial. Mais do que uma simples formalidade, este documento é a base para um controle eficaz do faturamento, garantindo que o empreendedor se mantenha em conformidade com as regras do regime e tenha uma visão clara da saúde da sua empresa. Uma gestão financeira bem estruturada e integrada às rotinas mensais evita surpresas desagradáveis no momento de fazer a declaração anual e fortalece a tomada de decisões estratégicas.
O que é e qual a finalidade do Relatório Mensal de Receitas do MEI?
O Relatório Mensal de Receitas Brutas, popularmente conhecido como relatório mensal MEI, é um documento de preenchimento obrigatório para todos os microempreendedores individuais. Sua principal função é registrar, de forma organizada, todo o faturamento bruto obtido pela empresa a cada mês, seja com a venda de mercadorias ou com a prestação de serviços. Este controle é fundamental para que o empreendedor acompanhe se está respeitando o limite de faturamento anual permitido para a categoria, que atualmente é de R$ 81.000,00.
Embora não precise ser entregue mensalmente a nenhum órgão do governo, o relatório deve ser preenchido até o dia 20 do mês seguinte ao das receitas. Ele deve ser arquivado junto com as notas fiscais emitidas e os demais comprovantes de vendas por um período de cinco anos. Essa documentação serve como base para a elaboração da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) e pode ser solicitada em uma eventual fiscalização da Receita Federal. Portanto, encará-lo como parte integrada da gestão é um passo crucial para a profissionalização do negócio.
Passo a passo para preencher seu relatório mensal MEI
O preenchimento do relatório é mais simples do que parece. O modelo oficial pode ser encontrado no Portal do Empreendedor, mas o MEI também pode criar sua própria planilha, desde que contenha todas as informações necessárias. A seguir, detalhamos cada etapa para que você não tenha dúvidas.
1. Identificação e Período de Apuração
O primeiro passo é preencher o cabeçalho do documento. Informe os dados básicos da sua empresa e o período a que as receitas se referem.
- CNPJ: Insira o número de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da sua empresa.
- Empreendedor Individual: Escreva seu nome completo.
- Período de Apuração: Indique o mês e o ano que estão sendo registrados (ex: Agosto/2024).
2. Registro das Receitas Brutas do Mês
Esta é a parte central do relatório. Você deve separar suas receitas em duas categorias, conforme a natureza da sua atividade. É importante lembrar que o valor a ser registrado é o faturamento bruto, ou seja, o total recebido sem descontar nenhuma despesa (aluguel, matéria-prima, impostos, etc.).
- Campo I – Receita Bruta com Revenda de Mercadorias (Comércio): Neste campo, você deve somar o valor total de todas as vendas de produtos que você comprou de terceiros e revendeu.
- Campo II – Receita Bruta com Prestação de Serviços e/ou Venda de Mercadorias com Industrialização: Aqui, você soma o valor total de todos os serviços prestados e também das vendas de produtos que foram fabricados ou transformados por você.
- Campo III – Receita Bruta Total: Some os valores dos campos I e II para obter o faturamento total do mês.
3. Anexar e Arquivar Comprovantes
O relatório por si só não tem validade sem os documentos que comprovem as receitas declaradas. Por isso, é fundamental guardar todos os comprovantes de vendas e serviços do período correspondente. Anexe-os ou arquive-os junto ao relatório preenchido.
Os principais comprovantes são:
- Notas fiscais emitidas (para vendas a outras empresas ou quando solicitado pelo consumidor).
- Relatórios de vendas de máquinas de cartão de crédito e débito.
- Comprovantes de transações via Pix ou transferências bancárias.
- Relatórios de vendas de plataformas de e-commerce ou marketplaces.
- Recibos de prestação de serviço ou venda emitidos manualmente.
A Conexão entre o Relatório Mensal e a Declaração Anual (DASN-SIMEI)
Manter o relatório mensal MEI em dia transforma a obrigação de entregar a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) em uma tarefa muito mais simples e segura. A DASN-SIMEI nada mais é do que um consolidado das informações que você já organizou ao longo do ano. Para preenchê-la, basta somar os valores totais de cada um dos doze relatórios mensais.
Ao chegar o período da declaração anual, geralmente no início do ano, o empreendedor que possui todos os relatórios preenchidos corretamente apenas precisará transcrever os totais anuais de comércio e serviços para o sistema da Receita Federal. Essa prática minimiza drasticamente as chances de erros, evita o estresse de ter que levantar informações de um ano inteiro de uma só vez e garante que os dados declarados sejam precisos, protegendo o MEI de possíveis multas ou complicações fiscais.
Dicas para Facilitar a Organização Financeira
Para que o preenchimento do relatório não se torne um peso, adote hábitos que simplificam o processo e fortalecem sua gestão financeira.
- Crie uma rotina: Reserve um tempo fixo no início de cada mês para organizar os documentos e preencher o relatório do mês anterior. A consistência é a chave.
- Use a tecnologia a seu favor: Planilhas como Google Sheets ou Excel são ótimas para automatizar a soma das receitas. Aplicativos de gestão financeira para MEI também podem ser grandes aliados.
- Separe as contas bancárias: Tenha uma conta exclusiva para a empresa (pode ser uma conta PJ ou uma conta de pessoa física dedicada ao negócio). Isso facilita o rastreamento das entradas e evita a mistura com as finanças pessoais.
- Digitalize tudo: Tire fotos ou escaneie todos os comprovantes de venda e guarde-os em pastas organizadas por mês em um serviço de nuvem (como Google Drive ou OneDrive). Isso previne a perda de documentos e o desgaste do papel.
Perguntas Frequentes sobre relatório mensal MEI
1. Preciso entregar o relatório mensal MEI em algum lugar?
Não. O relatório não precisa ser enviado ou entregue a nenhum órgão governamental mensalmente. Ele deve ser preenchido e arquivado pelo próprio empreendedor, juntamente com os comprovantes de receita, por um prazo mínimo de cinco anos, para fins de controle e eventual fiscalização.
2. O que acontece se eu não preencher o relatório mensal?
Embora não exista uma multa específica por não preencher o relatório, a falta dessa organização pode levar a erros no preenchimento da Declaração Anual (DASN-SIMEI). Informações incorretas na declaração anual podem resultar em multas, pendências com a Receita Federal e até o desenquadramento do regime MEI.
3. Vendi sem emitir nota fiscal. Como registro essa receita?
Toda receita deve ser registrada, independentemente da emissão de nota fiscal. O MEI deve registrar o valor total de suas vendas e serviços. Utilize outros comprovantes, como o extrato da maquininha de cartão, comprovantes de depósitos, Pix ou até mesmo um controle de caixa simples para registrar essas vendas.
4. Posso usar uma planilha própria em vez do modelo oficial?
Sim. Você pode utilizar uma planilha digital ou outro sistema de controle, contanto que ele contenha todas as informações exigidas no modelo oficial: CNPJ, nome, período de apuração, valor da receita com comércio, valor da receita com serviços/indústria e o valor da receita bruta total.
5. Devo descontar meus custos e despesas no relatório mensal?
Não. O relatório mensal do MEI se refere exclusivamente à Receita Bruta, ou seja, ao faturamento total sem o desconto de qualquer tipo de despesa (como compra de mercadorias, aluguel, água, luz ou impostos). Os custos devem ser controlados em um fluxo de caixa separado, para sua gestão interna.





